Xamanismo da Deusa - A minha visão por Isabel Maria Angélica - 20.Fev.2017

20-02-2017 11:52
Desde que me lembro que queria ser arqueóloga e ir para as pirâmides do Egipto escavar os tesouros escondidos pelo tempo. Ver imagens da Deusa Ísis mexia em todas as fibras do meu Ser, num misto de adoração e saudades. O Egipto antigo, os seus mistérios e heranças sempre tocaram fundo em memórias tão antigas quanto eu. Ísis, a rainha/deusa suprema, a partir da qual tantos nomes e atributos foram manifestados. Algo que senti, sem sombra de dúvida, quando, em Março de 2009, adentrei a Grande Pirâmide, o Templo de Luxor e o Templo de Philae… Não restaram mais dúvidas de que nestes locais fui muito feliz, há milénios atrás. Nos três locais chorei de saudades e reconhecimento.
Aos 18 anos comecei a receber mensagens escritas (psicorafias) de um ser chamado Miguel e de outro chamado de Constança. Mais tarde vim a traduzir o primeiro como Arcanjo Miguel e o outro de um ser espiritual ligado à missão da que conhecemos em Portugal como Rainha Santa Isabel. Ambos falavam da importância do aprimoramento do ser e de uma missão maior à qual eu estaria ligada. Contudo, só a partir de 2007 é que comecei a juntar todas essas partilhas a um caminho mais profundo de auto-conhecimento que me era pedido de uma forma bem presente e que, de forma rápida, contundente e sem paninhos quentes me incitavam a um mergulho mais profundo dentro de mim mesma e naquilo que hoje traduzo como as raízes do caminho espiritual de Portugal, ou, por outras palabras, o xamanismo ancestral deste território à beira mar plantado.
Contudo, só em 2010, quando me aprofundo no estudo das medicinas da Terra, é que começo a vislumbrar o que tudo isto representa verdadeiramente e, mesmo assim, quase 7 anos depois, ainda não compreendo na sua totalidade, pois tentar compreender estes mistérios é, em si mesmo, um caminho.
Sempre nutri um profundo carinho e amor pela Rainha que guarda os segredos do casamento da ancestralidade do paganismo ( APROFUNDAR O QUE É) e da linguagem judaíco-cristã que tão bem caracteriza Portugal. Uma mulher que trabalhou toda a sua vida para cuidar das mulheres e a elas lhes devolver a dignidade. Ela que, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, estabeleu um porto seguro, na medida do que podia, às mulheres e que era guardada pelo dragão (a serpente alada), como se pode ver por evidências arqueológicas resgatadas naquele Mosteiro e visíveis no Núcleo Museológico do mesmo. Graças à profissão que exerci num programa de fundos comunitários para a Cultura, tive a oportunidade de satisfazer a minha curiosidade pela arqueologia portuguesa e graças a esse meu caminho conheci profundamente alguns dos mistérios daquele Mosteiro tão flagelado pelas águas do Rio Mondego e que, ao mesmo tempo, o transformaram num útero aquoso e protegido da passagem dos tempos.
Depois veio Ofiúsa e a sabedoria ancestral das pegadas pré-romanas e pré-lusitanas. Quando tomei conhecimento que era este o Território dos Adoradores da Serpente, a Ofiúsa das tribos Ophis e Draganis, senti-me finalmente a juntar uma peça do puzzle que me faltava para aceitar, definitivamente, o meu animal de poder - a serpente. Dentro de mim casei, finalmente, a Serpente, Ísis e Isabel…
Por essa altura, em 2010, também recolhi as evidências da presença em território nacional do culto à Deusa Ísis. Como foi isto possível? Está provado que os primeiros celtas foram, na realidade, mercadores e sábios que vieram do Egipto e trouxeram a referência desta Deusa até este território. Uma energia que tão bem se uniu ao culto à serpente, pois Ísis é também conhecida como a Deusa Serpente.
Para muitos esta união pode parecer algo quase blasfémico… como unir a serpente, a Deusa Ísis e a Rainha Isabel? Que ideia disparatada! Mas para mim não é…
Pelo caminho e estudo que tenho feito nas minhas leituras e nos meus mergulhos, todas elas são manifestações da mesma Fonte que é a Mãe do Mundo mas que simbolizam a escadaria iniciática que me levou a uma Caverna Maior, dentro da Terra. Ainda leva e continuará a levar, pois esta Caverna é acedida por grutas e labirintos escuros de mim mesma. Uma viagem que faço a cada ciclo menstrual, a cada celebração do meu fluxo de vitalidade, criatividade, fertilidade e abundância.
E, para nós aqui em Portugal, este será, na minha opinião, o Xamanismo a resgatar para nos levará a uma Deusa Divina que, no Reino dos Céus, casa com um Deus Divino. Duas partes que juntas formam a origem no mundo que conhecemos. Se dúvidas eu tivesse, percebo que há cada vez mais mulheres a serem chamadas ao estudo das manifestações da Deusa em Portugal. No entanto, é preciso atenção para limparmos este estudo interno de uma linguagem e herança patriarcais de uma insitituição que deixou marcas profundas na nossa psique e células que nos branqueiam as evidências. Uma instituição que endemonizou a mulher, contribuiu para cortarmos a nossa ligação aos ciclos do nosso corpo e da Terra, transformou a serpente num diabo criado para alimentar a matriz do controlo e do medo… que nos tirou, com a nossa autorização e permissão, sublinhe-se, a nossa dimensão uterina, cavernosa, escura, visceral e selvagem.
E agora humildemente estamos a acolher a autorização interna para regressarmos a essa dimensão de nós mesmas. Consequentemente, também os homens são convidados a serem iniciados nessa dimensão, pois, como diz a querida e sábia Andrea Herrera, as mulheres são as instrutoras do Mundo. Contudo, fazermos este caminho para dentro, para as raízes da nossa alma humana e feminina, requer muito discernimento já que as cavernas às quais nos habituámos também elas estão contaminadas pela energia da ilusão, da depressão e abandono de nós mesmas à força da mente que mente. É uma energia muito sedutora que nos leva à separação em nós mesmas e umas das outras.
Os tempos estão a pedir-nos muito discernimento e humildade, pois o trabalho da mulher não é leviano. Não pode mesmo ser leviano sob pena de perpetuarmos a ilusão. Requer coragem e doçura, num equilíbrio dos arquétipos da guerreira e da virgem. Requer humildade. Mas afinal o que é essa humildade num mundo que nos diz que este atributo é quase o mesmo que a submissão e castração? Num mundo onde a soberania e a manifestação do poder pessoal são confundidos com vaidade? Onde a coragem e determinação são confundidas com arrogância? Onde a doçura é confundida com diluição nos outros?
Para já, a proposta que sinto, é o silêncio em mim mesma e o encontro com todas as minhas partes à medida que vou descendo as cavernas. O escuro que me acolhe não me mete medo. Sempre lidei com ele a vida toda, portanto não é novidade. O que me mantém atenta, o medo que ajuda a enraizar, são os meus gatilhos que tocam no meu amor-próprio (ou a falta dele), pois há um profundo desejo em mim de seguir caminhando acompanhada, mas ao mesmo tempo há um medo ancestral de me sentir sozinha. Concerteza que não sou a única. Constato isso a cada círculo de mulheres que tenho a oportunidade de abrir ou participar. Contudo, essa ilusão ainda é manhosa e traiçoeira… o medo de perder a integridade em tempos em que as energias nos pedem a comunidade. Respiro fundo e percebo que o Xamanismo da Deusa é a descoberta de mim mesma para melhor poder servir o Todo. Também sei que não tempo a perder, por isso o estudos dos elementos em mim é crucial para me ir equilibrando nesta canoa que nos pede que atravessemos o anod de 2017, uma vez mais, por mares nunca dantes navegados e que nos irão fazer chegar ao anos 2020 e depois 2025 como um colectivo empoderado a partir de cada ser encarnado, manifestando o Céu na Terra.
Por todas as minhas relações.
Um Abraço de Útero:Coração.
Isabel Maria Angélica
www.terrasdelyz.net | www.ninhodaserpente.net

NOTA - este tema pode e deve ser trabalhado em ambiente de terapia ou em cursos e podes contactar pelo email - terrasdelyz@gmail.com; este tema está a ser desenvolvido no curso online e presencial d’ A MULHER XAMÂNICA - O XAMANISMO DA DEUSA

Este texto pode e deve ser divulgado desde que respeitada a sua fonte:
Isabel Maria Angélica | 20 de Fevereiro de 2017 | Terras de Lyz | www.terrasdelyz.net | Ninho da Serpente | www.ninhodaserpente.net

Imagem de Susan Seddon-Boulet

MAIS TEXTOS QUE PODES LER:

A abundância e a ferida da mãe por Isabel Maria Angélica – 20.Jan.2017
http://www.ninhodaserpente.net/news/a-abundancia-e-a-ferida-da-mae-por-isabel-maria-angelica-20-jan-2017/

A desfragmentação do EU e o ciclo da vítima por Isabel Maria Angélica - 21.Dez.2016
http://www.terrasdelyz.net/news/a-desfragmentacao-do-eu-e-o-ciclo-da-vitima-por-isabel-maria-angelica-21-dez-2016/

A Percepção Pessoal e o Ciclo da Vítima por Isabel Maria Angélica – 19.Jul.2016
http://www.terrasdelyz.net/news/a-percepcao-pessoal-e-o-ciclo-da-vitima-por-isabel-maria-angelica-19-jul-2016/

A Ferida da Rejeição e o Ciclo da Vítima por Isabel Maria Angélica - 24.Mai.2016
http://www.terrasdelyz.net/news/a-ferida-da-rejeicao-e-o-ciclo-da-vitima-por-isabel-maria-angelica-24-mai-2016/

A mestria do Fogo por Isabel Maria Angélica - 07.Abril.2016
http://www.terrasdelyz.net/news/a-mestria-do-fogo-por-isabel-maria-angelica-07-abril-2016/

O meu corpo é uma Oração e a minha Oração é a gratidão - por Isabel Maria Angélica - 23.Março.2016
http://www.terrasdelyz.net/news/o-meu-corpo-e-uma-oracao-a-minha-oracao-e-a-gratidao-por-isabel-maria-angelica-23-marco-2016/

A nossa Sombra é a arrogância por Isabel Maria Angélica | 8.Março.2016
http://www.terrasdelyz.net/news/a-nossa-sombra-e-a-arrogancia-por-isabel-maria-angelica-8-marco-2016/

A Responsabilidade e o Ciclo da Vítima por Isabel Maria Angélica - 28.Dez.2015
http://www.terrasdelyz.net/news/a-responsabilidade-e-o-ciclo-da-vitima-por-isabel-maria-angelica-28-dez-2015/