O ÚTERO por Zizi Pereira Lopes

27-02-2017 15:58
"Ao mais antigo oráculo da Grécia, consagrado à Grande Mãe da terra, do mar e do céu, deram-lhe o nome de Delfos, de delphos, com o significado de " útero". "
- Barbara Walker, The Women´sEncyclopedia of Myths and Secrets.
"... O útero está situado no centro inferior da cavidade pélvica, ligado á vagina pelo colo do útero e ás paredes laterais pelo endométrio. As trompas de Falópio entram de ambos os lados da parte superior do útero, conhecida por fundo.
Os ovários localizam-se imediatamente abaixo da abertura das trompas.
Os ovários, trompas e útero fazem todos parte do sistema hormonal feminino. Todas estas estruturas estão intimamente ligadas entre si.
No entanto, sendo o útero o órgão central na pelve, o curioso é que tem sido o órgão mais subestimado ao longo da nossa história.
O útero quase nunca foi estudado independentemente do seu papel na gravidez, um facto que reflecte os preconceitos culturais em que assenta a nossa sociedade.
O útero é visto como a potencial casa de outrem e é valorizado enquanto pode desempenhar potencialmente este papel.
Depois de terminada a função de acomodar uma criança, ou quando uma mulher escolhe não ter a criança, a medicina moderna considera que o útero não tem valor inerente. Os ovários também são em muito vistos sobre este prisma porque a ciência médica acredita que o suporte hormonal a partir de fontes artificiais pode desempenhar as suas funções tão bem ou melhor do que os próprios ovários da mulher.
As mulheres são basicamente educadas para viver segundo esta ordem de ideias- válidas na sua função de serem mães ou companheiras de alguém, sem valor inerente a si mesmas.
Esta subvalorização do útero por parte dos médicos e dos doentes em geral em muito contribui para o facto de, a seguir ás cesarianas, ser a histerectomia a segunda intervenção cirúrgica mais vulgarmente praticada. ..."
- Excerto do livro Corpo de Mulher, Sabedoria de Mulher de Christiane Northrup

Reflexão pessoal:
Perante a minha experiência de vida, estudo e caminho pessoal, sou da opinião que o útero deve ser preservado sempre! Só em raras excepções deve ser realizada uma histerectomia na mulher. Só quando os órgãos da mulher estejam de tal forma doentes, que isso ponha em causa a vida da mulher e o seu equilíbrio para viver. Nesses casos de Vida/Morte a histerectomia é vista como um bem maior e traz com consequências o resgate do equilíbrio.
Então perante esta consciência abre-se um novo pedido de caminho para a cura do útero (e quando digo útero, digo todo o aparelho feminino).
Há uma ferida.
E as mulheres estão a ser chamadas a olhar, encarar e curar essa ferida. Tudo isto não vai mudar até a mulher a sociedade fazer um trabalho de consciência. Porque a consciência afecta e manifesta-se no corpo.
Não vale a pena fugir da ferida, retirar úteros, porque desta forma não se vai realmente resolver alguma coisa.
As próprias mulheres quando têm problemas nestes órgãos , preferem e dão autorização para os remover. Porque não conseguem parar e estar com elas próprias para perceberem o que se está a passar. Entram em conflito com os papeis que sentem que precisam continuar a cumprir lá fora como (mães, companheiras, profissionais, etc) e não se sentem bem ou permitem parar e cuidar delas próprias e das suas necessidades internas.
Então, as mulheres estão a ser chamadas a um grande trabalho de desconstrução com esta sociedade e as suas crenças.
A mulher precisa de apoio, plataformas, medicina, assistência para poder fazer este trabalho de consciência.
E perguntar:
Porque é que me dói? Porque tenho miomas? Porque manifesto doença?
 
Necessita reconhecer a sua história, curar e integrar. Mudar padrões, crenças e superar-se.
Trabalhar o seu amor próprio e o respeito por si mesma.
A sociedade precisa de uma nova educação e consciência.
E as mulheres são as educadoras do mundo. Precisamos assumir este papel na sociedade, começando nas nossas vidas, casa, família, comunidade próxima.
".... Os órgãos pélvicos internos (ovários, trompas e útero) estão relacionados com aspectos do segundo chakra. A sua energia depende de um instinto capaz, competente ou potente para gerar abundância e estabilidade emocional e financeira, e para expressar a criatividade na sua plenitude.
A mulher deve ser capaz de se sentir bem consigo mesma e com as suas relações com os outros no decorrer da sua vida. Por outro lado, as relações que ela acha cansativas e limitadoras podem afectar adversamente os seus órgãos pélvicos internos. Assim, se uma mulher permanece numa relação não saudável porque pensa que não poderá bastar-se a si mesma, económica, e emocionalmente, os seus orgãos internos podem correr um, sério risco de contraírem doença.
A doença só surge quando uma mulher se sente frustrada nas suas tentativas de efectuar mudanças que ela precisa de fazer na sua vida. A probabilidade e gravidade da doença, dependem do quão eficientemente funcionam as diversas áreas da sua vida. Um casamento e uma vida familiar que a apoiem, por exemplo, podem compensar parcialmente um trabalho cansativo. Um padrão psicológico clássico associado a problemas físicos na pelve, é o de uma mulher que quer libertar-se de comportamentos limitativos nas suas relações ( com o seu marido ou no seu trabalho, por exemplo)  mas que não consegue confrontar-se com os seus medos relativamente á independência que essas alterações lhe trariam. Embora ela possa aperceber-se de que os outros estão a limitar a sua capacidade de se libertar, na realidade, o seu maior conflito desencadeia-se dentro de si mesma em torno dos seus próprios medos.
Um outro aspecto que afecta os órgãos pélvicos é a competição entre as várias necessidades. Quando as suas necessidades mais intimas de companheirismo e apoio emocional entram em competição com as suas outras necessidades exteriores, autonomia e aprovação familiar, esta situação pode interferir com os seus órgãos pélvicos, os ovários e o útero. A nossa cultura ensina-nos que não podemos estar ao mesmo tempo emocionalmente preenchidas e ser bem-sucedidas financeiramente e que as nossas necessidades relativamente a ambos os aspectos são mutuamnte exclusivas; que, como mulheres, não podemos ter tudo. As mulheres não são geralmente ensinadas a ser competentes nas áreas financeiras e económica porque o sistema patriarcal assenta na própria dependência feminina. Uma vez que ter dinheiro e estatuto nos protege e nos faz sentir seguras., foi-nos ensinado que, para adquirir segurança, temos de casar, e aos homens que devem providenciar para que não falte dinheiro nem estatuto ás suas esposas. O sucesso, no sistema adictivo, permite-nos controlar os outros. Estas crenças e comportamento determinante que geram são a base para o aparecimento dos problemas pélvicos.
O útero está energeticamente relacionado com o mais intimo sentido de independência de uma mulher e com o seu mundo interior. Simboliza os sus sonhos e as personagens que gostaria de gerar. O seu estado de saúde reflecte a sua realidade emocional e a sua crença em si mesma ao nível mais profundo. A saúde do útero está em risco se uma mulher não acredita em si mesma, ou se for excessivamente autocrítica.
A energia uterina é mais lenta que a energia ovárica. O tempo de gestação biológica do feto é de nove meses lunares, enquanto que o tempo de gestação de um ovo é de apenas um mês lunar. Pensa-se no útero como sendo a terra, quer simbolicamente, quer biologicamente, na qual as sementes produtivas dos ovários crescem a seu tempo.
A saúde ovárica está directamente relacionada com as relações da mulher com as pessoas e coisas exteriores a si mesma. Os ovários estão em risco quando as mulheres se sentem controladas ou criticadas pelos outros, ou quando elas, por seu turno , criticam ou controlam os outros."
- Excerto retirado do livro Corpo de Mulher, Sabedoria de Mulher de Christiane Northrup
 
Esta é uma parte da apresentação feita no trabalho da Tenda Vermelha dedicada ao tema de “Quem Conta um Conto, acrescenta um ponto”, do Círculo No Ninho da Serpente.
Compilado e escrito por Zizi Pereira Lopes, Fevereiro de 2017