Em reconhecimento pelo Caminho do Clã das 13 Luas por Isabel Maria Angélica

31-01-2017 12:30
Aho Grande Espírito
Ahá Pachamama, Pachacamac, Mama Quilla e Taita Sol
Quando em Agosto de 2015 recebi autorização de abrir esta vivência do Clã das 13 Luas fui invadida com a certeza de que iria ser um trabalho transformador para todas as Mulheres que dele fizessem parte. Sabia que a vivência dos ciclos lunares a partir da sabedoria ancestral índia iria ser altamente curador e ao mesmo tempo iria trazer um alinhamento às nossas essências de mulheres. Mas não sabia que ia ser assim... como foi...
Começámos 6 dezenas de mulheres cheias de entusiasmo, vontade de partilha, alegria, irmandade e ainda com a energia das meninas que querem contar as novidades umas às outras. Neste momento, nesta 13a Lua, somos um terço dessas mulheres-meninas. As que se apresentam agora, isso sei, são as mulheres-mulheres que abraçaram as meninas e tomaram as rédeas das suas vidas.
Pelo caminho fomos descascando as diversas camadas do nosso ser que se assemelham a uma cebola... Fomos afrontadas e confrontadas com as nossas partes ocultas, embaladas no grande colo da Mãe Terra que nos acolhe a todas da mesma forma. Fomos apresentadas aos nossos dons que transformamos em ofícios. Fomos espelho umas das outras da beleza e do potencial, da fealdade oculta e da capacidade de transcendência.
Cantámos, dançámos, rimos e chorámos.
Juntas, até este momento, celebrámos os sucessos e as dores de cada uma.
Aprendemos a distinguir com mais cuidado a veracidade das palavras, olhares e pensamentos.
Ficámos frágeis na nossa força e aprendemos a aceitar que precisamos de mimos e nutrição.
Ao longo destas 13 Luas, morreram pessoas que faziam parte do nosso mundo, fossem mortes físicas que a Senhora do Tempo levou, fossem mortes simbólicas, pois pessoas que amávamos deixaram de estar no nosso caminho, lado-a-lado.
Amaldiçoámos e bem-dissemos. Clamámos e gritámos. Colocámos o joelho no chão e agradecemos.
Fomos abençoadas por verdadeiros milagres que nos devolveram a Fé na Vida que escolhemos e tropeçámos umas quantas vezes com as pedras dos nossos caminhos.
Mas não desistimos. Fomos teimosas e temerosas, mantendo o foco num propósito maior que nos embalou neste caminho que escolhemos por livre e espontânea vontade... pois nenhuma de nós iniciou e terminou este caminho de auto-descoberta por obrigação. Todas nós, cada uma de nós, iniciou e terminou este caminho fruto de uma escolha sagrada da nossa alma transformada em corpo de coração:útero.
Realizámos que nada somos perante a força arrebatadora da Grande Criação, mas que somos tanto e tão preciosas quanto a flor que vinga no ambiente mais agreste.
E respiro profundamente perante a beleza do caminho que a Grande Mãe e a Avó Lua nos propuseram num chamado interno e sonhado pela nossa Alma e Espírito.
Não consigo recapitular de forma isenta tudo o que vivi em cada Lua, em cada proposta. Tanta aconteceu, tudo tão intenso, mas é assim que me sinto viva e em evolução constante... Tudo o que traduzi e dei voz para cada uma de vocês saiu-me da experiência do meu caminho feito. Nenhuma das “lições” foi debitada a partir de textos e estudo empírico. Tudo o que vos passei como guardiã deste Clã das 13 Luas vivi, experienciei, transmutei, chorei, gritei e celebrei para assim a vossa aprendizagem acontecer. Foi intenso e doloroso? Foi! É! Mas há que aceitar humildemente que ainda é assim que a Alma egoíca e esperançosa faz caminho nesta dimensão terrena. Um dia será diferente. Hoje em dia já é diferente.
Neste Círculo dentro do Círculo do Ninho da Serpente vivi as experiências mais arrasadoras do amor e do ódio... da admiração e da inveja... de doação e maldade... da beleza e bestialidade. Nós, mulheres, somos isso... ainda... pois a vida começa em cada uma de nós e somos magnânimas na escolha que fazemos com o dom de gerarmos a vida em nós... podemos escolher em cada momento parir para evoluir ou parar para destruir. E conformo-me, por agora, que esse ainda é o patamar das mulheres que somos numa época que ainda agora está a despertar para a 5a Humanidade, numa altura em que entramos na idade dos 5 anos da nova Mulher, Homem e Terra.
Por um lado, anima-nos a vontade brutal e avassaladora de sairmos das amarras do patriarcado que nos oprime dentro e fora. Por outro vem a menina-mulher em nós que não deseja a mudança e prefere a separação. Ambas contrapõem à Deusa Mãe que nos habita que tem apenas como desejo profundo de se tornar a sua própria visão...
Por isso nos foi pedido tanto. Por isso despimos tanto. Por isso fomos tão confrontadas. A mim foi-me pedido o impossível quando me apeteceu desistir. Despi-me de tanto quando me apetecia agarrar padrões e bengalas com unhas e dentes. Fui confrontada com espelhos que preferia não ter visto. Mas tudo isso trouxe-me ao lugar que agora ocupo junto ao Fogo Sagrado do meu Ser, onde a Terra me trespassa com as suas Medicinas de cura e transformação. Sei desde há muito que aquilo que sou e carrego pede espaço para lá do Ego/Eu, para lá das dores e sofrimentos, para lá das expectativas e boicotes internos e externos.
E sou profundamente grata a todas vocês, as que já passaram e as que ficaram, porque me ajudaram a aprender tanto sobre mim. E sou profundamente grata por se conhecerem agora mais um pouco e apresentarem ao Mundo, interno e externo, quem realmente são.
Dentro da minha natureza aquariana e leonina desde cedo que sei que o meu caminho passa por manifestar o meu poder pessoal como líder para uma nova era, mas que isso implica também que trago como marcas de alma o abuso desse mesmo poder. Contudo, o chamado superior do meu Ser nunca me deixou muitas margens de manobra à menina amuada que quer desistir perante as expectativas defraudadas. Por isso, a Serpente me acompanha como Animal de Poder e o Leão é a minha guia no assumir da realeza interior. E sou grata por me terem recebido. Quem fez julgamentos ou considerações pela forma como me apresentei terá de observar esses mesmos julgamentos ou considerações à luz dos seus próprios Eus/Egos. Pois somos responsáveis por tudo o que dizemos, fazemos, emanamos e pensamos. Eu cá fico com a consciência tranquila de que em todos os momentos dei e dou o melhor que sei nas circunstâncias em que me apresento. O Grande Espírito sabe os desígnios e intenções de cada uma e um Círculo forma-se com o contributo de todas que nele se sentam e usam do Bastão da Fala.
Conectada com o consciente colectivo das mulheres que agora se sentam neste Círculo Sagrado conseguiria enumerar todos os pensamentos, desabafos, intenções e frustrações de cada uma das mulheres. Conseguiria descrever detalhes de tanto que cada uma passou. Sim, porque como Guardiã sei dos motivos que vos movem, daquilo que sonharam para materializar e daquilo que ainda desejam manifestar. Contudo, esse trabalho não me compete agora num momento em que chegamos Àquela que se Torna a Sua Própria Visão. Como eu escrevi algures em 2015, a um grupo de mulheres que me era próximo, sei do lugar que cada uma ocupa, sei o que carregam e sei das curas a serem feitas, mas não sou eu nem ninguém que deverá ditar as pistas para o caminho individual.
Como guardiã deste Clã das 13 Luas apenas vos posso aconselhar humildemente a serem perseverantes com o verdadeiro chamado que vos acolhe cada vez que se conectam no eixo coração:útero. São as únicas responsáveis, como nos ensina esta Mãe Clã da 13a Lua, a sonharem quem querem Ser e como o querem manifestar. Então façam-nos em respeito por todas as Forças e Seres que partilham o Planeta e o Universo convosco. Respeitem a hierarquia que vos permite aceder a planos internos. Honrem os que caminham há mais tempo. Honrem-se por caminharem há mais tempo dos que se seguem. Isto é soberania e não deve ser confundida com soberba nem arrogância. Pois tanto é arrogância acharem que não são dignas das lições recebidas quanto é negarem a importância de todas as lições recebidas.
Mas quem sou eu para vos “dar lições de moral”, certo?
Eu que também sou humana e que tenho ainda tanto para lapidar no diamante do meu Coração que ainda carrega tantas dores e tristezas...
Mas aqui, com os meus joelhos no chão, louvando o Avô Fogo, orando a partir do meu coração:útero, honro-vos e celebro-vos abrindo os meus braços como uma mãe doce e firme, amorosa e visceral. Pois é isso que a Grande Mãe e os meus Maiores me pedem e ensinam... Maiores onde incluo a Máma Andrea Herrera e o Padrinho Ramon Peregrino. Dois poderes alinhados que tanto me ensinam na humanidade e espírito.
Por fim, deixo-vos o convite de mergulharmos juntas no desafio da Mulher Xamânica – O Xamanismo da Deusa... Jamais se cansem de mergulhar nos vossos desígnios... A cura chega quando percorremos o Caminho na solidão dos nossos pensamentos e dons, mas em Círculo tudo é mais rápido. Para isso, a Criação nos deu o Círculo que existe há tanto tempo quanto existe Raça Humana.
O Ninho da Serpente, casa de Círculos de Mulheres, continua firme e digno. Há um núcleo que se apresenta depois de tantas transformações e que está determinado no respeito e no reconhecimento para prosseguirmos o Chamado da Cura do Feminino, da nossa relação com a Grande Mãe, com a nossa mãe biológica e o masculino sonhado em nós.
Honro-vos.
Respeito-vos.
Chamo-vos de Irmãs.
Celebro-vos.
Celebro-me reconhecendo os meus dons, ofícios, visões e sonhos.
Grata por materializarem este meu sonho que foi sustentado pelo Coração da Grande Mãe a partir de Terras de Lyz.
Fica mais por dizer. Mas agora disse o essencial que o meu coração:útero me pediu alinhado na força do Avô Fogo e na doçura do Mestre que percorre o meu Ser.
Por todas as minhas relações.
- Isabel Maria Angélica, 10 de Janeiro de 2017