6.Abril - Lisboa - Tenda Vermelha "À Conversa com a Camomila"

22-03-2017 16:41

À Conversa com a Camomila

Tenda Vermelha No Ninho da Serpente

por Carla Correia e Zizi Pereira Lopes

Espiral (Lisboa), 6 de Abril de 2017, das 18h30 às 21h00
Depois de lermos o artigo abaixo citado, algo se resgatou e abriu dentro de nós. E sentimos vontade de fazer este trabalho.
A simplicidade de sabermos que é assim… que basta um chá e mulheres e que surge a conversa, a vontade de falar ou apenas estar e escutar.
Convidamos todas as mulheres que sintam vontade de estar, partilhar ouvir e falar da camomila, para a camomila e sobre nós.
No centro estará o chá de Camomila. A camomila liberta a culpa.
Traz a tua chavena de chá contigo. Nós levamos a Camomila. Vamos conversar.
Todas as Mulheres são convidadas a trazer saias vestidas, uma peça de roupa vermelha, uma vela tea-light e uma troca de 10,00.
Inscrições - noninhodaserpente@gmail.com
A Tenda Vermelha em Lisboa realiza-se na sala de actividades da Espiral, na Praça Ilha do Faial, Nº 13, cave.

"Seu nome oficial é Matricaria e significa útero.
A Camomila deseja falar com as mulheres.
A Camomila é o útero onde se inicia um caldeirão tão forte e sábio que cura sem ferir, é sincero sem espezinhar, toca sem esmagar, dá prazer sem ser invasivo.
Camomila carrega em si todos os arquétipos da deusa, é só saber ouvi-la! Maleável como a água, é a Matriarca da Terra, é Gaia em vegetal e a base para todas as alquimias das mulheres.
A pequena e inofensiva flor é forte, corajosa e acolhedora de todos nós, homens, mulheres, crianças, idosos, acolhedora até das outras plantas ou de qualquer ser vivo nesta Terra, e assim é porque só consegue acolher e curar sem machucar quem tem amorosidade em sua força.
A camomila, como uma metáfora para o que pensam sobre as mulheres, não é boba, fraquinha nem serve apenas para dar uma acolhida. Talvez, justamente, por representar as mulheres em épocas passadas e por ter sido tão utilizada por elas, essa associação fez com que a camomila se tornasse coisa de “mulherzinha”, fraquinha, boazinha.
O fato de eu vê-la como algo “menor” ou “frágil” foi um insight para perceber como eu mesma me concebia sendo mulher: frágil, cuidadora, doce, pequena flor e, por isso, sem possibilidades de algo maior, profundo e corajoso.
Minha interação com  a camomila, desde então, tornou-se intensa e afetuosa.
Mas para que ela realmente serve?
Como historiadora, analisando variadas fontes antigas, inclusive da Inquisição, que cita a camomila como uma das ervas mais utilizadas pelas camponesas, notei que elas empregavam-na para tudo, principalmente para cuidar de seus ventres incluindo todos os temas: como menstruação, gestação, prazer, e não apenas a parte do útero como concebemos na nomenclatura atual.
Camomila matricaria é o útero, o ventre, o sistema reprodutor, a força da mulher, o canal vaginal, o seu local de cura energética e espiritual.
Diante de meus estudos históricos e fazendo uma relação também com a história da utilização dessa planta, interpreto que a camomila cura porque nos LIBERTA DA CULPA.
As mulheres, principalmente as latinas, carregam em si muita culpa, por consequência de, desde a Roma Antiga (400-300 A.C.), terem tido seus corpos atrelados a todas as mazelas que ocorriam na sociedade.
Nas fontes da época, observa-se que, em Roma, as desgraças estavam atreladas a três principais pilares: menstruação, aborto e falta de castidade. Ou seja, desde nossos ancestrais romanos, a sociedade culpabiliza o corpo da mulher por todas as tragédias. Culpa por menstruar, culpa por gerar ou não gerar, culpa por gerar “errado”, culpa por sentir prazer, culpa por falar, por fazer ou não fazer.
A culpa nos oprimiu e silenciou; a camomila, como uma mãe acolhedora e extremamente forte, vem nos tirar dessas amarras com tanta leveza e acolhimento.
Ela é tão bela e sábia no seu curar que pode tanto cuidar de um bebê como de uma forte candidíase. Ela é tão maravilhosa em seus desenlaces de culpas que pode fazer uma mulher “parir” suas feridas e, logo depois, sorrir e seguir em paz.
A cura emocional com a camomila não pode ser muito técnica, é preciso se entregar a ela. Costumo vê-la trabalhando melhor quando tomada em uma roda de chá de mulheres do que quando utilizada somente de forma meticulosa e prática, por exemplo.
Costumo dizer que a minha melhor amiga, depois de mim mesma, é a camomila. Alegre, brincalhona, leve, carrega em si a capacidade de curar sem destruir, sem maltratar, pedindo, gentilmente, para o que te faz mal sair. Diplomática, séria quando precisa, mas risonha até nesses momentos. Camomila é como água, maleável, descobre a linguagem do que nos ataca e, sem agredir de volta, conversa, leva, desfaz."
Excerto do texto de Palmira Margarida é historiadora e atualmente é doutoranda na UFRJ. Pesquisa sobre neurociências, os cheiros e  as emoções. Estuda também neurobiologia das plantas.
MULHERES DA CAMOMILA - LIBERTAÇÃO DA CULPA.