A abundância e a ferida da mãe por Isabel Maria Angélica – 20.Jan.2017

20-01-2017 19:14

Demeter in Ancient Feminine Wisdom by Kay Stevenson & Brian Clark
 

Em termos energéticos, emocionais, físicos e sistémicos, a mãe biológica é aquela que nos dá o primeiro sustento. Por isso, a conexão a ela está ligada ao movimento de ir para a vida, brilharmos, termos prosperidade e conseguirmos a abundância financeira. Tudo o que nós guardamos dentro do nosso corpo, ao nível celular, ou no nosso sistema de crenças, em relação a este tema irá repercutir-se ao longo da nossa vida. Seja por excesso ou por escassez.
Mais especificamente, a abundância material é um GRANDE tema que é comum à maioria das mulheres que recebo nos meus atendimentos ou nos círculos. Não fosse também um tema que eu sempre trabalhei ao longo da minha vida e que no último ano se tornou um facto importantíssimo para trabalhar. Não que esteja em escassez (apesar dos pensamentos recorrentes sobre tal bem nutridos por uma matriz de controlo), mas porque, neste momento, algumas pessoas devem à Escola da qual sou um dos pilares a respectiva troca de abundância por serviços, cursos ou alojamento. Um tema que tenho vindo a trabalhar através de vários estágios que tocaram na minha raiva, indignação, perplexidade, resignação até se tornar, neste momento, numa fortíssima aprendizagem e tomada de consciência.
Por isso hoje, com a Lua Minguante em Escorpião, estou aqui a partilhar convosco que aprendizagem e tomada de consciência foi esta. Já não se trata de um lamento ou reivindicação ou vitimização, mas sim uma lição que me permito a partilhar, tal como tenho feito noutras ocasiões. Sempre digo e escrevo que a minha vida é o meu laboratório de experiências onde me permito a aceder a partes mais internas e ocultas do meu ser para depois trazer à superfície. Com este tema, apesar de delicado, não há excepção, até porque estou certa que irá ajudar outras mulheres (e quem sabe homens) a tomarem consciência dos seus próprios processos pessoais.
 

A mãe e a nossa ferida

Dado que a nossa ligação à mãe biológica é a primeira que estabelecemos no processo da encarnação da Alma, é com ela que aprendemos, nesta vida, o que significa protecção, nutrição, abundância, cuidado, atenção e segurança, entre outras coisas. Ou pelo menos deveria ser essa a premissa pois o que acontece na maioria das vezes, e aqui baseio-me nas dezenas de exemplos que acolho das mulheres que atendo ou participam nos trabalhos do Ninho da Serpente ou de Terras de Lyz, é que não obtivemos das nossas mães tudo aquilo que precisámos para nutrir a nossa confiança nos nossos dons e de os transformar em ofícios e com eles gerarmos a abundância de sustento.
Se uma mãe estava com uma depressão na gravidez ou no pós-parto, sem que a sua condição fosse acolhida e atendida devidamente, absorvemos a urgência de sobreviver, agir, fazer para que a vida não se esvaia. Se a nossa mãe esteve a anti-depressivos com aquilo que se chama de depressão declarada, o seu sistema interno adormecido é-nos transmitido como uma realidade. Se a nossa mãe era alvo de abusos, fossem a que nível fossem, começamos aos poucos a formatar a nossa identidade de bebés ou meninas a esse dado adquirido e desenvolvemos os mecanismos necessários para reagirmos em conformidade. Se a nossa mãe passou fome ou não tinha autonomia financeira para provir por si e pela sua prol, em nós crescerá a certeza de que o mesmo irá acontecer connosco em algum momento das nossas vidas.
E os exemplos poderiam continuar.
Tal como nos ensina Laura Gutman, durante os dois primeiros anos de vida os bebés são uma extensão das suas mães. E as crianças só se tornam efectivamente autónomas da energia da mãe após a primeira década de vida. Então significa que numa fase crucial de crescimento, aquisição de competências emocionais e sociais, desenvolvimento da nossa personalidade, somos permeáveis a tudo o que a nossa mãe nos transmite dentro das suas vivências, escolhas e responsabilidades. E aqui, queridas mulheres, há que aceitar que as coisas são o que são de acordo com o que foi. Não há culpas nem desculpas a dar. Apenas olhar para os eventos de forma lúcida e consciente. Pois as mães que agora me lêem também estão a fazer as suas próprias curas conscientes.
Também quero reforçar que este texto não é de acusação ou culpa, nem é de amor ou outra coisa qualquer, mas sim sobre algo que é importante tomar como consciente.
 

A mãe e o dinheiro

O dinheiro é uma energia. Daí muitas vezes se falar em “troca de energia” ou “troca de abundância” nos meios das terapias alternativas em vez de falarmos em euros. Contudo, o dinheiro não deixa de ser a moeda de troca instituída no mundo inteiro e até é uma linguagem comum em quase toda a parte.
Se a nossa mãe nos incute que a escassez é um facto da vida, que é preciso trabalharmos muito para termos “algum”, que tudo o que ela ganha ou ganhou é para a família, que o despesismo é uma forma de compensação emocional, que para sermos alguém temos que trabalhar muito, que não pode ter o seu dinheiro e autonomia pois é uma coitada à mercê dos outros, etc, é isso que mais cedo ou mais tarde irá repercutir-se nas nossas vidas. Claro que não é taxativo e há excepções. Mas não estou a falar das excepções, mas sim da maioria.
Passamos uma vida inteiro a lutar, a trabalhar, a gastar, a lamentar que não chega, ou que já entrou e saiu. Passamos anos a tentar gerar abundância, a trabalharmos no duro e parece que nunca há caminho feito ou evolução. O dinheiro não chega, não se torna amigo. E não se torna amigo porque guardadas no âmago dos nossos seres estão as crenças que a mãe nos passou, e a mãe dela passou para ela e que, por sua vez, recebeu da sua mãe... Ciclos geracionais e hereditários que parece que nunca mais terminam e que nos deixam tontas, tristes, desiludidas e paralisadas.
Mas a grande consciência começa aqui. Repete comigo: Eu não sou a minha mãe, sou apenas sua filha e posso tomar a minha vida nas mães e fazer diferente para comigo mesma!
 

A projecção da mãe e o dinheiro

Como guardiã de círculos de mulheres, muitas vezes oiço as mulheres a referirem-se a mim como uma figura materna ou a representação de uma mãe. O que não deixa de ser uma realidade, pois as guardiãs incorporam esse e outros arquétipos, embora uns mais conscientes e outros nem tanto.
O problema não reside no facto de verem em mim, ou em qualquer outra guardiã, a tal figura materna. O problema reside quando somos alvo das projecções que fazem das suas próprias mães e aqui, neste ponto, passamos (passamos) de bestiais a bestas, pois o enamoramento, a paixão, a amizade e até cumplicidade ficam contaminadas pelas feridas que cada uma das mulheres carrega em relação às suas próprias mães.
A guardiã deve ser perfeita como as suas mães não foram... Um processo que, normalmente, leva a separações, zangas, onde palavras como traição e desilusão de tornam frequentes. A guardiã passa a ser o diabo personificado em forma de mulher manipuladora quando, na realidade, o que acontece é que há uma recusa total na observação primordial da ferida que cada uma carrega em relação à sua própria mãe biológica. Também à guardiã compete observar os seus procedimentos, ingenuidades, sonhos, ilusões e necessidades que acabaram por atrair tais espelhos.
Neste processo de zanga e separação, que já senti na pele bastantes vezes, é comum as mulheres saírem, baterem com a porta, cortarem relações e levarem consigo o dinheiro que ficam a dever por serviços e terapias recebidos ou dos cursos em que participaram... Esta é a forma mais directa, embora de forma se calhar inconsciente, de “castigarem” aquela que não serviu para ser exemplar, castigando assim aquela que colocaram no papel de “mãezinha”. Assim, de forma indirecta, também ferem as suas próprias mães, pois fundo é isso que lá está. Mais ainda, quando são posteriormente interpoladas sobre os montantes avultados que precisam de ser quitados, ainda reagem como ofendidas, vítimas da “madrasta má”. Consideram que assim estão a castigar a outra mas afinal não souberam foi curar dentro de si mesmas.
À guardiã, que também é uma mulher, resta-lhe ir tirando as aprendizagens que lhe competem de forma a se ir libertando do tema. Como escrevi, este assunto toca-me particularmente e escrevo sobre ele porque neste momento entrego as projecções e dívidas ao Fogo Sagrado que agora me inspira a escrever. Há décadas que professo a máxima que “a verdade há-de vir ao de cima” e, regra geral, vem, mesmo que isso implique duras lições para mim. Conheço bem o reverso das medalhas e conheço bem o conceito da dualidade.
 

A zanga com a outra e com a mãe

Zangarmo-nos com as outras mulheres não é, nada mais, nada menos, do que alimentarmos o processo das nossas meninas mal-amadas (ou mal protegidas, ou mal nutridas, etc) que habitam em todas nós. É uma ferida tão profunda esta que carregamos das e com as nossas mães biológicas que nem sempre nos apercebemos das rasteiras que ela nos passa ao longo das nossas vidas.
Contudo, tal como sempre, é mais fácil projectarmos na outra os males das nossas vidas. E criamos uma série de “porques” para justificarmos os pensamentos, emoções, palavas e emanações: porque a outra não me vê, porque a outra é bonita, porque a outra é feia, porque a outra não me deixa brilhar, porque a outra não me deixa falar, porque a outra é mais feliz que eu, porque a outra tem uma vida melhor, porque a outra não me deixa brincar com as bonecas dela, porque eu acho que a outra me tratou mal e agora não lhe pago o que lhe devo, porque a outra isto, aquilo e o outro... São tantos “porques” que eles circulam livremente pelas nossas mentes para nos instilar ainda mais a zanga e a separação. “Porque assim, a outra não é ameaça para os meus segredos mais profundos”...
Então, minhas queridas, não é a “outra”... somos nós mesmas com a nossa mãe a nossa linhagem materna! Somos nós com a nossa história e responsabilidade de mudar ou aceitar ficar na mesma! Somos nós que teremos de permitir que o percurso milenar da nossa linhagem materna mude... ou não! Mas que seja uma escolha que cada uma faz na paz da sua consciência e que viva com isso sem estar na atribuição da culpa através desse espelho doente da projecção da mãe.
 

A energia de abundância

A energia de abundância é devida a todos, sem excepção. Esta Mãe Terra é abundante e todos somos Seus filhos! E é impossível a coerência no trabalho com a Mãe Terra, com o Feminino, com o Masculino e com a Cura se andamos pelo Mundo a acumular dívidas apenas porque nos zangamos ou temos vergonha. A figura dos colectores de dívidas, os tais “senhores do fraque”, não existem apenas no mundo físico. Também existem no mundo energético e emocional. Manifestam-se nos bloqueios a diversos níveis, nomeadamente na saúde e karma.
Curar a Ferida da Mãe é um trabalho para a vida de todas as mulheres, sem excepção! Consequentemente, será para os homens também, mas sobre isso não me ocuparei agora. Deixar de arremessar às “outras” da vida e com as quais nos cruzamos todos os dias a todas as horas a dor que carregamos com a nossa progenitora é absolutamente necessário para verdadeiramente deixarmos de alimentar uma das principais feridas no Feminino – a separação. Até podemos viver efectivamente separadas por emoções, convicções, mas que não seja por despeito, projecções ou maldade.
As trocas acordadas são para cumprir (sejam elas quais forem). Assim é com um casamento, em relações, com a família, com os senhores que nos prestam os serviços de água, luz e telefone, com o Serviço Nacional de Saúde, com os Impostos e tantos outros! Tudo tem uma troca e estas trocas geram abundância pois honrando e respeito o lugar que cada um ocupa na cadeia da abundância é nutrir, tal como a mãe nutre.
A energia da abundância para tudo na vida está correlacionada com a forma como lidamos com a nossa mãe biológica. Curar, limpar, perdoar, aceitar, receber no coração são patamares necessários para assim reconhecermos o real lugar que a nossa Alma deseja ocupar nesta vivência terrena. Sanar a ligação umbilical com a nossa mãe é manifestar equilíbrio em todas as nossas relações.
 

Oração na Lua Minguante

Respiro e deixo ir.
Respiro e aceito as minhas lições.
Respiro e recebo o retorno da minha ingenuidade, da vontade excessiva, do desejo de ser amada, de apresentar a minha humanidade, mesmo que isso tenha sido usado de forma abusiva por outrem.
Respiro e oro ao Fogo Sagrado para que receba esta minha entrega na confiança de que o Universo é sábio, que a Mãe Terra tudo equilibra e que a verdade do Pai é apenas uma.
Respiro e entrego à luz dourada do Fogo Sagrado o meu pedido de integração, limpeza, alinhamento e libertação.
Respiro e guardo em mim a certeza de que o equilíbrio de tudo o que é habita em mim desde do Centro da Terra até ao Sol Central.
Por todas as minhas relações.
 
Isabel Maria Angélica
www.terrasdelyz.net | www.ninhodaserpente.net
NOTA - este tema pode e deve ser trabalhado em ambiente de terapia ou em cursos e podes contactar pelo email - terrasdelyz@gmail.com
 
Este texto pode e deve ser divulgado desde que respeitada a sua fonte:
Isabel Maria Angélica | 20 de Janeiro de 2017 | Terras de Lyz | www.terrasdelyz.net | Ninho da Serpente | www.ninhodaserpente.net
 
Imagem: Demeter in Ancient Feminine Wisdom by Kay Stevenson & Brian Clark


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Retornos

 

Aho! Graças! 

- Lidia 

 

Grata querida, gostei muito de ler, sem duvida é um tema presente na minha vida. O que tenho observado em paralelo com o que falas é mesmo a observação verdadeira do eu sou, a forma como sente, nós queremos muito essa abundancia, mas na verdade o nosso mais profundo sentimento é que não somos merecedoras de tal abundancia. Grata pela confiança e partilha, um abraço e até breve
- Cláudia 

 

Isabel, adorei este email fez todo o sentido para mim "A abundância e a ferida da mãe", desde 15/12/16 q estou em transformação 360° da minha vida, acabei uma relação de 6 anos pq estagnou e não houve evolução, tenho pena pq é a minha alma gémea, mas acredito num reencontro ainda nesta vida, para além disto fui "empurrada" para Setúbal de onde saí há 10 danos e 5 meses e nunca pensei em voltar e está acontecer tão depressa q o q era p ser em Junho passou a ser fim de Janeiro e tudo isto por causa do dinheiro, da abundância e o engraçado é q tenho uma casa minha mas tenho vontade de ir para casa da minha mãe primeiro, pq me apetece ninho e pq sei q temos assuntos a resolver e ou teu artigo fez me luz disso e doutras coisas, bem hajas! Estou desejosa de te conhecer no dia 2/2. E qdo te dizer q até meados de fevereiro pago a sinalização do curso e a 1a prestação. Obrigada ❤️❤️❤️ bjs

- Patrícia